quarta-feira, 31 de julho de 2013

Como votar nas Autárquicas

O Pelourinho é o mais velho símbolo do poder local. Defenda-o!

Votar: Sim? Não? Como?

Este breve texto serve para promover uma reflexão pública sobre as próximas eleições autárquicas e fixar a posição do Partido Democrata sobre a matéria.

Para muitos portugueses a desilusão face ao que esta democracia populista, corrupta e falida tem para nos oferecer, quase trinta e nove anos depois de derrubada a ditadura de Salazar e Caetano, é tão grande que algumas centenas de milhar de portugueses já cá não estão. Emigraram em massa em busca de pão e decência.

Dos que ficaram, se descontarmos aqueles que dependem dos vencimentos, pensões e subsídios até agora garantidos pelo estado, apesar dos cortes, é bem provável que a maioria ou não vá votar nas próximas eleições autárquicas, ou vá votar com os pés, usando para tal o voto branco e o voto nulo.

A tentação de desertar do próximo ato eleitoral talvez nunca tenha sido tão forte. A partidocracia e a biopolítica continuam a dominar o sistema, e este, por sua vez, está nos bolsos dos grandes rendeiros do país e dos grandes especuladores mundiais. As perguntas daqui resultantes são óbvias: votar para quê? Porquê votar? Votar para quem?


Não é fácil responder!

Do parlamento às autarquias, passando pelos sucessivos governos desta democracia desmiolada e corrupta, o que hoje sabemos é que nos mentiram o tempo todo. Ao prometerem o que não podiam e ao fazerem o que não deviam com dinheiro clandestinamente emprestado, comprometendo criminosamente o nosso futuro e o futuro dos nossos filhos e netos, não merecem nada de nós. Ou talvez mereçam isto: um enorme desprezo.

Não votar ou votar com os pés é uma forma clara de mostrar o nosso desprezo pela corrompida partidocracia que domina o país. Mas chegará? Ou seja, se ficarmos por aqui, conseguiremos afugentar os demónios da nossa democracia?

Eu creio que não. E é por isso que defendo o aparecimento de plataformas, movimentos, grupos de vigilância e partidos democráticos como vias para provocar a metamorfose que a nossa democracia precisa para se salvar de uma nova ditadura. Para haver outra ditadura já só falta mesmo uma bancarrota declarada, a qual, como sabemos, continua por um fio. A massa informe de onde sairão os poucos beneficiários de uma nova ditadura, por mais sofisticada que possa ser, está entre nós. Seria uma fatal ilusão pensarmos que virá de fora. A fraca gente do anterior regime passou incólume à dita 'revolução', sobreviveu e mudou de camisola. Amanhã, se for preciso, não hesitarão em mudar de camisa outra vez.

Sobretudo os mais jovens, principais vítimas do desemprego e da falta de emprego, apesar das qualificações conseguidas, devem agora pensar que é tempo de se envolverem nos problemas do país, pois estes problemas são, cada vez mais, os seus problemas de hoje e os seus problemas de amanhã.

Há quem defenda as candidaturas independentes como panaceia para o colapso da credibilidade do poder existente. No entanto, sabemos todos que estes processos tendem a ser capturados, mesmo antes de nascerem, pela nomenclatura dominante e pela lógica agora defensiva da própria partidocracia.

É preciso irmos mais longe e é urgente até usarmos o que sabemos para mudar o estado de coisas.

Por isso, o caminho que defendo passará necessariamente por três dinâmicas que poderão e deverão mais tarde confluir:

  1. reformar internamente as atuais forças partidárias, profissionais, empresariais e sindicais;
  2. reforçar todos os movimentos de cidadania independente, estimulando a sua crescente capacidade de agir sobre as decisões políticas e administrativas centrais, regionais e municipais;
  3. criar novos partidos políticos.
A esta luz, creio que devemos adotar uma geometria variável relativamente às próximas eleições autárquicas. Ou seja, antes de boicotar as eleições, ou de votar com os pés (branco ou nulo), devemos interrogar as forças candidatas, e só depois tomar uma decisão sobre o voto. Admito perfeitamente, sobretudo em eleições autárquicas, que qualquer das candidaturas nos possa convencer a votar, mas não sem antes lhe colocarmos questões e exigir respostas.

Com os meios tecnológicos à nossa disposição é hoje mais fácil colocar os candidatos e os partidos perante as suas responsabilidades. É por aqui que devemos apostar na renovação da delapidada e descaracterizada democracia que nos conduziu a falência.

Foi pensando nesta alternativa de ação que resolvi propor uma questionário a submeter aos candidatos autárquicos, e que lanço agora à discussão pública.


Aqui vai...

10 PERGUNTAS AOS CANDIDATOS AUTÁRQUICOS

1) Que promete fazer para tornar a sua autarquia mais eficiente e menos onerosa para os bolsos dos munícipes?

2) Que promete fazer para desburocratizar a vida municipal?

3) Que promete fazer para aumentar a transparência dos atos administrativos e o acesso aos documentos oficiais?

4) Que pensa da existência e implementação de um CÓDIGO DE ÉTICA MUNICIPAL?

5) Vai manter, subir ou baixar o preço da água e as taxas de saneamento no próximo mandato?

6) Vai subir, manter ou descer o IMI?

7) Que medidas promete implementar para atrair mais pessoas ao concelho?

Que medidas promete implementar para ajudar os jovens casais a terem emprego no concelho?

9) Que medidas promete implementar para aumentar a natalidade e fixar a população do concelho?

10) Que medidas promete implementar para atrair mais empresas ao concelho e facilitar a sua vida?

— Proponho, no quadro da campanha eleitoral em curso, uma discussão aberta sobre estes e outros temas relevantes para o poder local em Portugal.

— O primeiro passo a considerar deverá ser, na minha opinião, a elaboração de um questionário aos candidatos cuja formulação final está a partir desta proposta aberta à discussão.

António Cerveira Pinto

para o Partido Democrata 

Inquisição rasca

A volúpia da Inquisição

Vá lá, confesse que mentiu...

A senhora sabia. E tanto sabia que andou a negociar a redução dos prejuízos.

Na realidade, Maria Luís Albuquerque sabia, mas só soube o suficiente para agir depois de ter requisitado aos serviços e direções-gerais (que não são governo) a necessária informação, que o governo anterior não prestou, e ter chegado à conclusão que, em vez de 146 contratos swap de que se falava por aí, afinal existem mais de 250!

Por outro lado, ninguém do anterior governo, José Sócrates, ou Teixeira dos Santos (o resto da corja é irrelevante neste caso), responsáveis pela maioria dos contratos de endividamento escondido que agora estamos a pagar com impostos, cortes nas pensões, reduções de salários e perdas de emprego, comunicou em um único papel que fosse a existência, natureza e número dos ditos swaps, e muito menos a dimensão e gravidade do problema que os mesmos supõem para a credibilidade do estado português. O mais que fizeram foi avisar informalmente e apenas verbalmente Vítor Gaspar, e nunca Maria Luís Albuquerque, que havia uns problemas com swaps.


Resumindo: o anterior governo procedeu ou deu instruções a empresas públicas e direções-gerais para procederem a duas centenas de contratos de endividamento dissimulado. 

E precisamente porque se tratou de recorrer a instrumentos de endividamento clandestinos, a sua existência não poderia ter sido comunicada por escrito na pasta de transição do governo anterior, sob pena de termos agora lenha suficiente para sentar imediatamente José Sócrates, Teixeira dos Santos e a turma de desgraçados que lhes obedeceram, no banco dos réus.

Maria Luís Albuquerque não mentiu e, além do mais, negociou e continua a negociar para reduzir as perdas potenciais dos ditos swaps.

O anterior governo, pelo contrário, sim, mentiu aos portugueses, mentiu ao Eurostat e escondeu informação concreta ao governo de Passos Coelho, fornecendo-lhe apenas um lamiré sobre o potencial destrutivo dos swaps contratados desde 2003, deixando a Vítor Gaspar a tarefa de descobrir os meandros da galeria de buracos orçamentais dissimulados cavada pelo governo 'socialista'.

A geração parlamentar que tem vindo a perseguir Maria Luís Albuquerque faz-me lembrar cada vez mais o barro doente de que se fizeram em Portugal ao longo dos séculos as tropas galdérias da Inquisição e do Salazarismo.


Curiosamente, mais de 87% dos membros da comissão de inquérito parlamentar ao caso dos swaps pertence à chamada Geração X. Sobre as características desta geração vale a pena ler The Fourth Turning, e em particular percorrer este fórum sobre a dita geração. 

A minha geração, a dos babyboomers --Guterres (n. 1949), Durão Barroso (n. 1956), José Sócrates (n. 1957)-- é largamente responsável pela 'largesse' despesista e consumista que nos conduziu ao desastre. Mas a mimada geração que entretanto chegou ao poder --Pedro Passos Coelho (n. 1964), António José Seguro (n. 1962) e Paulo Portas (1962)-- conhecida como a Geração X, vai ter que aprender depressa com a nova crise, ou ceder o seu lugar, muito antes do expectável, à próxima geração, a chamada geração do milénio.

António Cerveira Pinto

Última atualização: 31/7/2013 10:48 WET

sábado, 27 de julho de 2013

Os cavadores do PS

Carlos Zorrinho, o barragista-mor de José Sócrates.
Foto: Nuno Ferreir Santos

Parem de cavar — diz o cavador principal do PS!

A ‘esquerda’ corporativa tem andado muito empenhada numa campanha de manipulação sem precedentes contra Maria Luís Albuquerque e as suas mal imputadas mentiras sobre swaps.

No entanto, a responsabilidade (criminosa) pela maioria dos mais de 250 swaps contratados para financiar clandestinamente o défice e a dívida do país, é de José Sócrates, de Teixeira dos Santos, do governo anterior, e portanto do PS e dos sindicatos para quem a satisfação dos direitos constitucionais autorizou um conluio especulativo, ilegítimo e ilegal, com alguns dos maiores banksters do planeta.

Mas atenção, o buraco criado na Swapilândia é muito inferior ao buraco do BPN, BPP e Banif, Caixa, BCP e BPI juntos, e não se compara com o buraco negro das PPP. Se não vejamos:
  • Buraco potencial dos swaps: €3.000.000.000,00 (entretanto reduzidos para metade, por Maria Luís Albuquerque)
  • Buraco potencial dos bancos resgatados e recapitalizados: €12.000.000.000,00 (o Estado poderá perder menos de metade desta quantia no conjunto das operações em curso)
  • Buraco das 120 PPP (no termo de todas as concessões): €60.000.000.000,00
Que eu saiba, tudo isto, ou quase, foi imaginado e/ou autorizado pelas mentes levianas e corrompidas dos governos de José Sócrates. Só o potencial de destruição das PPP é quatro vezes superior à soma das potenciais perdas com swaps e bancos habituados a viver em simbiose oportunista com o regime do Bloco Central (PSD-PS-CDS/PP).

E agora Zorrinho, que me diz das suas barragens? Pagamos nós, ou paga Você?

Segue-se uma análise ponderada e serena do descalabro ‘socialista’, publicada por Rui Rodrigues no Público de ontem. É por estas e por outras que o parlamento das cagarras prefere lançar poeira para os olhos do eleitorado!

António Cerveira Pinto

Ainda as PPP
Mais impostos e barragens agravam finanças

in Público/Carga & Transportes, 26/7/2013

No último artigo, foi feita uma análise do relatório preliminar elaborado em junho de 2013 por uma Comissão parlamentar sobre as Parcerias Público Privadas (PPP) rodoviárias e algumas ferroviárias. Foi definido o conceito de PPP e foram levantadas algumas questões, entre as quais se destacam as seguintes:

1. Porque razão algumas das PPP foram abandonadas e outras não.

2. O relatório parlamentar tentou identificar responsáveis pelos contratos assinados e até enviou o documento para o Ministério Público. O principal objetivo deveria ter passado por sugerir como anular as PPP (que ainda estão no início ou a decorrer), o mais depressa possível, e a atribuição de responsabilidades deveria ser suscitada mais tarde.

Um dos principais argumentos invocados para não se alterarem as PPP consiste na justificação de que os contratos estão “blindados”. A questão apresentada no ponto (1) e tendo em conta que o Governo já desistiu de algumas das PPP demonstra que, quando existe vontade política, estas são mesmo abandonadas.

O cancelamento destas infraestruturas deveria ser uma das opções de resolução deste grave problema, porque a estratégia principal deste sistema consiste no crescimento baseado no endividamento. Tendo em conta que a maior parte do capital para a construção das infraestruturas terá que ser obtido através de empréstimos no estrangeiro e devido ao elevado valor dos juros, quase todos os projetos deixam de ter rentabilidade que justifique o investimento. Convém recordar que uma taxa de juro anual de 7%, ao fim de 10 anos, quase duplica a dívida.

Em percentagem de investimento verifica-se que a rodovia está em 1º lugar, em 2º lugar o Ambiente, e as novas barragens na 3ª posição, representando assim 72% do total das PPP:

41% para Rodovia (novas autoestradas e vias rápidas);

19% para Ambiente (Águas, Saneamento e Resíduos)

12% para Produção de energia elétrica (Novas Barragens)

Alguns partidos e até ministros do Governo de Passos Coelho sugeriram já a ideia de criar impostos extraordinários sobre os concessionários das PPP. Esta solução não vai resolver o problema, pois a economia nada iria beneficiar com esta opção.

No caso concreto das ex-SCUT, que nem sequer são autoestradas, o valor a pagar nas portagens é de 8 a 9 cêntimos por quilómetro (Km), com IVA incluído; ou seja, a cada 100 Km são gastos 8 a 9 Euros. Este valor é superior ao de várias autoestradas francesas. Em média, para uma viatura ligeira, que circule nas ex-SCUT, o preço da mobilidade por Km teve um aumento de 100%, comparando com a situação existente, no passado, sem portagens.

Esta nova realidade corresponde à quase duplicação do encargo gasto com os combustíveis, o que está a penalizar fortemente a economia e o turismo nacional. As ex-SCUTS estão vazias ou com tráfego muito baixo. Esta é a melhor confirmação de que as opções escolhidas para estas infraestruturas rodoviárias não correspondiam à realidade nacional.

Novas barragens agravam problema energético

As novas barragens em início de construção ou por construir não têm fundos comunitários. Considerando só a energia hídrica (proveniente do rio), estas vão apenas funcionar um mês por ano (fonte INAG), produzindo somente 1672GWh/ano, isto é, apenas 3% do consumo nacional em 2010.

Durante o dia, a turbina da barragem vai produzir eletricidade para a rede elétrica nas horas de maior procura, através da água acumulada na albufeira. Durante a noite, por existir muito mais vento e menos consumo, as eólicas vão fornecer eletricidade para bombear a água. Ou seja, a água vai circular ao contrário.

Na fase da bombagem, a barragem vai consumir energia, pois a água vai circular em sentido oposto à do rio para ser elevada para a albufeira.

O balanço energético das fases 1 (barragem a produzir durante o dia) e 2 (fase da bombagem) é negativo devido à energia consumida na bombagem. Não aumenta 3%, como se afirma.

O preço da energia eólica é pago pelos consumidores a 95 euros por MWh. Para o concessionário, o preço da bombagem vai ser muito baixo, por ser efetuado durante a noite (podendo até ser nulo). É sobretudo através da diferença de valores pagos na bombagem, que o concessionário vai pagar a barragem.

Para os consumidores a despesa total será: preço da bombagem (95€ por MWh) + preço da hídrica (57€ por MWh), um dos preços da eletricidade mais altos do mundo.

O Governo dará ainda um subsídio de 20.000 Euros por MW, disponível pela garantia de potência às centrais electroprodutoras, mesmo que estas nada produzam. Este valor, para as novas barragens, pode atingir 50 milhões de Euros, por ano. A sua concessão vai durar entre 65 a 75 anos, mais do dobro das ex-SCUT.

Quem construir a nova barragem fica ainda com o direito de concessionar a água a terceiros.

Em conclusão, quanto à energia, gastar 16 mil milhões de euros nas novas barragens, cujo balanço energético é negativo, para só funcionarem durante 30 dias por ano, seria o mesmo que uma família gastar todas as suas economias para passar 1 mês por ano numa 2ª casa de férias.

A melhor opção é investir na eficiência energética (por ser muito mais barata) ou no aumento da potência das barragens existentes, cujo impacte ambiental é nulo, em vez de se gastar milhares de milhões de euros na construção e pagamento de rendas das novas barragens.

Compare-se o sucesso decorrente do reforço da potência da barragem de Venda Nova (no Norte) com os resultados previstos das novas barragens. Nestas, a relação custo benefício é 240% mais cara que o reforço da potência da barragem de Venda Nova, dado que aquela já está construída.

Recorde-se ainda que nos últimos anos o consumo de energia elétrica está a diminuir.

Imposto sobre o concessionário de PPP nada resolve.

Obviamente, a criação de um imposto sobre o concessionário de qualquer PPP, não vai beneficiar em nada os seus utentes.

A melhor opção será renegociar os contratos efetuados das obras que já estão terminadas, devendo-se pensar no abandono das PPP, que estão no início ou daquelas que não se justificam.

Tendo em conta as gravíssimas limitações financeiras do País devem ser estudadas as seguintes opções:

1. Abandono e indemnização aos concessionários das PPP.

2. Expropriação das PPP.

3. Redução das taxas de rentabilidade das PPP, como foi feito em Inglaterra.

No relatório preliminar da Comissão parlamentar sobre as PPP, a Taxa Interna de Rentabilidade (TIR) é definida como “uma taxa que em função de uma hipótese realista de rendibilidade dos capitais recuperados dá a rendibilidade do capital inicialmente investido durante o período de vida do projeto, ou seja, é um indicador que mede a rentabilidade de um determinado projeto.”

Para o presente e futuro do País, é decisivo tornar a economia mais competitiva. Criar infraestruturas em que os utilizadores vão pagar dos preços mais elevados da Europa, só pode levar ao aumento da recessão económica.

O Governo pode decretar o Estado de Emergência Nacional e invocar que o País está falido. Ninguém entende que se cortem nas reformas e salários e nada se altere nem se corte nas PPP.

Rui Rodrigues

Afinal quem mentiu?

Chamavam-lhe Pinóquio, por algo...

A minha mentira é melhor que a tua!
“Tínhamos conhecimento de 146 ou 147 operações e acabaram por ser analisadas mais de 250, porque foi preciso ir à procura do histórico” — Maria Luís Albuquerque.
A 'esquerda' corporativa pretende desviar a atenção dos eleitores para uma suposta mentira dita por Maria Luís Albuquerque no parlamento das araras. A ministra, de facto, não mentiu, como adiante se demonstrará. Assim, o que na realidade a 'esquerda' corporativa pretende com mais esta manobra de diversão é, por um lado, manter António José Seguro sob pressão, contra as potenciais virtualidades das reuniões entre os partidos do Memorando promovidas por Cavaco Silva e, por outro, com este sórdido cerco de cagarras movido contra a atual ministra das finanças, o que a 'esquerda' corporativa quer é esconder da opinião pública as suas pesadas responsabilidades na celebração de quase 245 SWAPs clandestinos. Clandestinos, sim, pois só na clandestinidade teria sido possível ocultar tamanha despesa pública ruinosa do orçamento de Estado e da dívida pública.

A esmagadora maioria dos SWAPs que serviram para permitir ao estado português sobre endividar-se, enganando Bruxelas, o BCE e os portugueses, permitindo a José Sócrates aumentar salários e fazer a despesa perdulária que agora estamos a pagar com língua de pau, não foi comunicada na chamada 'pasta de transição' que o ministro Teixeira dos Santos entregou a Vítor Gaspar.

O ex-ministro das finanças teve o cuidado de não anexar nenhum documento escrito sobre esta matéria criminosa na 'pasta de transição' que entregou ao seu sucessor, limitando-se a uma conversa informal sobre o assunto, e explicando porventura ao seu sucessor que havia um dossier algures que exigiria especial cuidado, atenção e muita discrição.

Acontece, porém, que a Troika exigiu conhecer toda a porcaria produzida pelo governo 'socialista', e depois exigiu também que a porcaria passasse a contar para o apuramento da real dívida pública portuguesa. Foi nesta altura que a bronca começou a ferver em lume brando, até rebentar.

Maria Luís Albuquerque, enquanto secretária de estado de Vítor Gaspar, procedeu à renegociação dum dossier verdadeiramente explosivo, envolvendo o governo de Portugal (capturado por piratas) e os maiores bancos financeiros do planeta: Goldman Sachs, JP Morgan, Merrill Lynch, Crédit Suisse, Deutsche Bank, Santander, Barclays, ABN Amro e BNP Paribas, todos eles, aliás, envolvidos no financiamento clandestino do estado português (grego, etc.) através de variedades exóticas de SWAPs, especialmente desenhados para passarem despercebidos junto do Banco de Portugal, do Tribunal de Contas, do Eurostat e do parlamento das araras, claro.. 

O assunto é de uma enorme gravidade. E se alguém deve ir preso pelos vários crimes implícitos nestas operações, a lista teria que ser necessariamente encabeçada por José Sócrates e Teixeira dos Santos — nunca pelos boys & girls a quem o Bloco Central sugeriu que desencantassem, onde fosse preciso, a massa para alimentar empresas públicas feridas de insolvência, projetos sem financiamento à vista, e máquinas partidárias vorazes.

Em desespero de causa, a 'esquerda' corporativa desencantou uma profusão de e-mails sobre SWAPs (do anterior governo, sublinhe-se) enviados por um diretor-geral à então secretária de estado Maria Luís Albuquerque. Sabe-se que Maria Luís pediu mais esclarecimentos sobre o assunto, e sobre omissões de contratos. Com o passar do tempo e das investigações, necessariamente discretas, apuraram-se não 146 contratos, mas mais de 250! E sabe-se também o óbvio: um diretor-geral não faz parte de qualquer governo, nem é responsável pelas decisões governamentais.

Maria Luís Albuquerque mentiu? Não! 

Quem mentiu e omitiu mais de 250 contratos clandestinos, alguns dos quais criminosos, do conhecimento do atual governo e sobretudo do povo português, já para não falar da União Europeia, foram várias criaturas do anterior governos, algumas da quais, como Carlos Zorrinho (o homem das barragens assassinas do Sabor e do Tua), aparecem agora no pelotão da frente do coro de cagarras contra a atual ministra das finanças.

A fronda neo-jacobina promovida por Mário Soares e José Sócrates, com a colaboração indigente do PCP, do Bloco e de boa parte dos empenhados jornalistas da nossa imprensa escrita e audiovisual, serve sobretudo para proteger a ‘esquerda’ corporativa do regime e alguns notórios piratas. 

A manobra contra Maria Luís Albuquerque é, aliás, a prova provada de que a 'esquerda' corporativa apenas pretende criar uma cortina de fumo sobre os milhares de milhões de euros de endividamento escondido (desorçamentado) gerados pelo governo Sócrates, sob o manto hipócrita dos ditos SWAPs especulativos. 

O governo de José Sócrates e o PS não prestaram nenhuma informação nos termos formalmente devidos à maioria e ao governo actuais. Teixeira dos Santos limitou-se a uma conversa de café sobre o tema, que veio agora relatar, não fosse afogar-se numa Swapilândia de que foi um dos principais responsáveis políticos.

António Cerveira Pinto

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Falta ouvir o maquinista!

Maquinista responsável (?) pelo acidente ferroviário de Santiago de Compostela


Falta ouvir o maquinista e analisar a caixa negra!

Ana Pastor: "Las personas que están al frente de un tren tienen que atenerse a unos protocolos"

La ministra de Fomento ha explicado que los sistemas de seguridad se adecúan al tipo de tren y a la velocidad permitida en función de unos protocolos. "Los responsables técnicos tienen que tener todo ello protocolizado y a quien corresponda tiene que cumplir las normas en cada momento", añadió. Ha indicado que "se trabaja para esclarecer la verdad" y que ofrecerá "de forma inmediata" toda la información una vez la reciba de los técnicos que lo investigan.

Ver más en: 20 minutos

Ou o ERTMS falhou, por avaria ou sabotagem, ou estaremos na presença e um maquinista aventureiro...

El Conficencial, 25/7/2013, 18:12.: “Donde el tren salió de las vías, causando más de 150 heridos y 78 víctimas, ya no hay balizas. Como ha explicado a este diario un portavoz de Thales, la compañía que en 2010 instaló la tecnología hasta el kilómetro 80 de la línea, estas placas aplicadas en las vías “comunican” a quien está en la cabina lo que ocurre en el terreno, siendo así una pieza clave del ERTMS. En este tipo de tramos el sistema es manual: señales laterales e indicadores analógicos advierten al conductor de las precauciones a tomar. En el momento de transición entre los dos tramos, el conductor tiene que “avisar” al tren de que se ha dado cuenta del cambio en la línea. “Si el conductor no pulsa un determinado comando, asegurando que es consciente del cambio en el sistema, el tren se para”, detalla este portavoz.”

Mas mesmo que estivéssemos na presença de um maquinista suicida, o sistema automático de controlo de velocidade deveria ter prevenido o desastre e o morticínio.

Se não não preveniu, das três, uma:
  • ou o sistema adotado não é apropriado, e por isso falhou; 
  • ou o maquinista podia e desfez o controlo automático da velocidade (tese da 'imprudência' do maquinista — de que duvido);
  • ou houve sabotagem! 
Além do mais, comboios de Alta Velocidade não devem ser conduzidos por um só maquinista.

A complexidade deste sistema de transporte, tal como sucede com os aviões, precisa de redundância humana. A redundância eletrónica é demasiado falível, como toda a gente sabe.

Finalmente a linha Madrid-Ferrol é uma solução atamancada, tal como a que quer implementar em Portugal a turma de levianos que aconselha o Sérgio das PPP.

CUIDADO!!!

ÚLTIMA HORA!

31/7/2013, 16:29 WET — Caixa Negra do comboio acidentado prova que houve causas múltiplas para acidente tão grave, mas ficou tb claro q a falta do sistema de controlo de velocidade ERTMS é porventura uma falha crítica q obrigará a Espanha a rever os seus procedimentos de segurança e lançamento de novas linhas de alta velocidade. Para já as candidaturas aos importantes projetos de Alta Velocidade no Brasil e no Médio Oriente serão certamente prejudicados. Por cá, é preciso redobrar a vigilância sobre o Sérgio das PPP e a irresponsável política de transportes do governo Passos Coelho.

ACP

(Via Libre, 31/07/2013) ...En la biblioteca de los juzgados, el juez, la secretaria y el fiscal se reunieron con policía científica, judicial, técnicos de Renfe, Adif y técnicos de la Comisión de Investigación del Ministerio de Fomento para analizar la forma en que se iba a acceder a la información y comprobar que todas las partes estaban de acuerdo.

Tras recibir las especificaciones técnicas de las cajas negras y realizar una prueba con otra caja negra, se procedió al volcado de información de las dos cajas negras del tren siniestrado de manera que quedase totalmente garantizada la integridad y fiabilidad del contenido.

Los datos se extrajeron en un lápiz de memoria aportada por el juzgado y posteriormente se hicieron copias autentificadas con firma digital. La información que se obtiene de las cajas está encriptada y se pasa por un programa informático para proceder a su desencriptación. Las primeras informaciones provisionales que se extraen del análisis de los últimos kilómetros recorridos por el tren antes de la salida de vía, siempre a la espera del informe de la policía judicial, son los siguientes:

-- El tren circulaba en los kilómetros previos al momento del descarrilamiento a 192 kilómetros por hora.

-- Segundos antes del accidente se activó un freno.

-- Se estima que en el momento de la salida de vía el tren circulaba a 153 kilómetros por hora.

-- Del audio almacenado en las cajas negras se ha podido saber también que el maquinista estaba hablando por teléfono con personal de Renfe, que parece ser un controlador, en el momento del accidente. Minutos antes de la salida de vía recibió una llamada en su teléfono profesional para indicarle el camino que tenía que seguir al llegar a Ferrol. Del contenido de la conversación y por el ruido de fondo parece que el maquinista consulta un plano o algún documento similar en papel.

Por otra parte, el juez autorizó hoy a los técnicos de la Comisión de Investigación de Fomento a realizar mediciones de las ruedas de los vagones, siempre acompañados por policía judicial. Los vagones no se moverán hasta que se completen las inspecciones oculares; todavía está pendiente el acceso a pequeñas zonas cerradas por hierros que hay que cortar. Cabe la posibilidad de que se trasladen perros para realizar una última inspección de los restos. También está previsto realizar un estudio de la máquina.

Por el momento no ha sido citado para declarar ningún testigo.


COMENTÁRIOS

Comentário chegado de Doha (31-7-2013))
“Para alem de todas as culpabilizacoes, o sistema de seguranca, no minimo eh burlesco. O maquinista nao sabia onde estava, e recebia instrucoes por telemovel ao mesmo tempo que tinha de consultar um manual. Sistema de controlo de velocidade , nao havia, nem a entrada das cidades. Inacreditavel!!! E incrivel como os dirigentes espanhois fogem com o rabo a seringa. O impacto no medio oriente, onde estao a concorrer as linhas TGV locais, eh ja imediato.”
É preciso rever a estratégia deste governo, ou falta dela, para a Alta Velocidade...

A propósito do gravíssimo acidente ferroviário com um comboio de Alta Velocidade espanhol que operava e continua a operar num sistema não coerente, recebemos de um especialista em transportes o comentário seguinte, que reputamos da mais alta importância para os decisores políticos.
Caro amigo,

As consequências do acidente de Santiago de Compostela estão muito para além do sinistro, havendo outras conclusões a retirar, nomeadamente sobre soluções híbridas, como é o caso dos comboios de eixo variável e linhas de utilização mista (passageiros e mercadorias).

A questão do "relevée", que no fundo é um ângulo de compensação para o interior da curva de forma a compensar a força centrifuga tem como pressuposto conseguir o compromisso entre comboios de velocidades e pesos distintos que circulam nessas mesmas linhas.

Por exemplo, um ‘relevée’ ótimo para um comboio a 350km/h não é necessariamente ótimo para um comprido e pesado comboio de mercadorias, resultando da circulação deste tipo de composições um maior desgaste do carril (mesa de rolamento) de dentro. Se um dia tiver oportunidade de reparar numa curva, verá um dos carris mais baixo do que o outro (em ‘relevée’), e verá que, por vezes, o carril situado no plano inferior está mais desgastado do lado de dentro. Isso é devido aos comboios mais lentos, com especial destaque para os de mercadorias. O esforço de tração das locomotivas e o verdugo da roda são elementos de grande desgaste do carril.

Daí que eu tenha defendido, por exemplo, a adaptação da linha convencional de Badajoz a Madrid para bitola UIC de forma a nela circularem pesados comboios de mercadorias (ex Porto de Sines)

Do meu ponto de vista, o acidente de Santiago e seu efeito mediático vem colocar vários problemas em cima da mesa.

Apesar da evolução da tecnologia ferroviária em termos de eixos telescópicos para circulação em linhas de diferentes bitolas, estamos na prática a introduzir entropia no sistema, com incremento dos riscos de acidente. Recorda-se, até hoje, de ter havido algum acidente grave nos TGV's em França, que circulam apenas em bitola UIC? Nem em França, nem na Alemanha, nem em Itália.

Esta questão da bitola, em Portugal (e em Espanha), tem que ser encarada de frente, assumindo-se publicamente soluções duradouras e funcionais, e não provisórias ou de recurso. Improvisar em termos ferroviários é um risco sempre acrescido.

Apesar da tentação de Espanha querer avançar para soluções híbridas, por uma questão de dinheiro e tempo, pois Espanha anda sempre a correr atrás do fundos europeus (Portugal é o inverso - FOGE, e fica muito confortável e contente por fugir  * ), o exemplo de ontem foi uma prova evidente de que importa não correr riscos.

Um Grande Abraço.

* Portugal faz-me recordar a seguinte história. Imagine 2 amigos. Um deles diz que quer comprar um carro novo, e o outro diz-lhe que se o outro comprar um carro novo ele compra um par de calças novas, pois as que tem estão completamente rotas. Um certo dia, o do carro diz-lhe que afinal não vai eventualmente comprar um carro para já, logo o outro fica todo radiante por não ter de comprar um par de calças novas, ficando o resto da vida orgulhoso por andar todo roto.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O parlamento das cagarras

in Público

O ataque a Maria Luís Albuquerque é próprio de uma esquerda corporativa sem escrúpulos, nem um mínimo de elegância

O tal Pin(a) cor-de-rosa passou informação, diz ele, a Maria Luís Albuquerque. Só pode ter sido entre dois pasteis de bacalhau e uma taça de Duque de Viseu!

Coisa tão séria quanto a especulação em massa promovia durante o governo de José Sócrates, nomeadamente recorrendo a SWAPs especulativos, para alimentar as insaciáveis empresas públicas dos boys & girls do Bloco Central (e do PCP-Intersindical) não teria sido matéria suficientemente importante para uma transmissão um pouco mais formal da pasta, com memorando apenso, descrevendo os assuntos mais urgentes e graves?

Quem pode crer nesta corja socratina?

O tal Pin(a) rosé diz que que disse! E como estavam os pasteis de bacalhau da Versailles, lembra-se?

Repito: coisa tão séria não teria sido matéria para uma transmissão um pouco mais formal da pasta, com memorando apenso descrevendo os assuntos mais urgentes e importantes?

E como o Pin(a) rosado diz que disse, o Bloco de Esquerda, zumba: convocou logo a ministra ao parlamento, como se fosse uma sangria desatada.

Quem pode levar a sério as dores destas cagarras bloquistas?

Na realidade, a antecipação dos resultados do défice, das exportações, do turismo e do crescimento, sobretudo a norte do Mondego, foi o verdadeiro gatilho da crise política e do nervosismo da esquerda corporativa... Portas, Cavaco e ainda Seguro (à boleia) aproveitaram para ganhar terreno.

Eu gosto da nova ministra. É loira, mas não é burra. E mais: Maria Luís, além de Albuquerque, é de Braga.

As galegas de origem céltica e sueva podem fazer toda a diferença num país ultimamente dominado por beduínos algarvios e contrabandistas beirões.  Sem ofensa para os beduínos, nem para os beirões, claro.

Há gente séria em toda a parte!


POST SCRIPTUM

Parece que andava enganado sobre esta senhora...

  • Maria Luís Albuquerque recebeu informação detalhada de 145 "swap". JN, 25/7/2013. 
 Ou talvez não!
  • Neste jogo de sombras parece agora claro que a ministra não mentiu! E que:

    1) o governo anterior autorizou a esmagadora maioria dos SWAPS, essencialmente destinados a esconder de Bruxelas, dos orçamentos do Estado, e dos portugueses, despesa pública escandalosa;

    2) o governo de José Sócrates não transmitiu formalmente nenhuma informação sobre SWAPs ao novo governo empossado (uma conversa meramente verbal não faz prova de responsabilidade do anterior governo nos SWAPs que ordenou ou induziu — et pour cause!);

    3) finalmente, os emails do diretor geral Pedro Felício hoje revelados, não podem ser considerados informação do ex-governo ao atual governo, mas sim informação técnica de uma DG para o governo atual, a qual começou, aliás, por ser muito incompleta...

    Público: "Reiterando que a informação sobre os swaps não constava na pasta de transição que recebeu do anterior Governo, Maria Luís Albuquerque rejeitou ter desvalorizado o problema, defendendo que só foram tomadas medidas em 2013, porque antes tinha que “ser conhecido no seu conjunto”.

    “Tínhamos conhecimento de 146 ou 147 operações e acabaram por ser analisadas mais de 250, porque foi preciso ir à procura do histórico”, exemplificou."

Última atualização: 25/7/2013, 23:51 WET

A Unicer é da Carlsberg



Eu é que sou o presidente da... Junta!

Vamos estar todos muito atentos ao novo governante, pois ignoramos o que ele pensa sobre seja o que for, exceto que abomina o euro e quer regressar ao escudo. Influência, certamente, do seu ex-patrão: a dinamarquesa Carlsberg. Quanto à cor da criatura, não é a melhor recomendação.

António Cerveira Pinto